Palavra do Pastor




Dom Zanoni Demettino Castro 
  Arcebispo Metropolitano
                                                                          
                                                                                                                                                                                                                      Abril/2021


 58ª Assembleia Geral da CNBB

Com uma celebração, às 7h, desta segunda-feira, 12 de abril, direto da Capela Nossa Senhora Aparecida na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), teve início a 58ª Assembleia Geral ordinária dos Bispos do Brasil (AG CNBB).

De acordo com as disposições estatutárias e regimentais, a 58ª AG da CNBB realiza-se, de 12 a 16 de abril de 2021, em modalidade virtual, por meio da Plataforma Zoom.  Em função da pandemia da Covid-19, pela primeira vez na história da Conferência uma assembleia será realizada em formato totalmente remoto. O evento contará com sessões pela manhã, das 8h às 12h, e à tarde, das 14h às 17h.  Participam do evento cardeais, arcebispos, bispos diocesanos e auxiliares, coadjutores, além dos bispos eméritos e representantes de organismos e pastorais da Igreja que são convidados.

 

                                      Rogai por nós, Santa Dulce dos Pobres

Dom Zanoni Demettino Castro
Arcebispo Metropolitano de Feira de Santana (BA)


A senhora conheceu a Irmã Dulce, indaguei a uma senhora negra, que limpava, com disposição e alegria, uma mesa numa lanchonete no Aeroporto Internacional de Salvador. Sim, com certeza, respondeu ela. Eu havia desembarcado naquele momento, vindo de Vitória do Espírito Santo, a fim de participar da cerimonia de beatificação de Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, mais conhecida como Irmã Dulce dos Pobres. Perguntava a mim mesmo se o nosso povo compreendia a importância daquele evento. Esta era a minha dúvida. Com muita clareza e contundência a senhora completou: o meu esposo trabalhou por muito tempo no hospital Santo Antônio. Nossa família tem uma grande dívida com esta santa mulher. Ela nos ajudou imensamente. Estamos muito alegres, pois ela será beatificada. Será o que? Perguntei novamente. Será beatificada, confirmou a alegre senhora. Curioso, eu perguntei: A senhora participa de alguma Comunidade Eclesial? Sim, respondeu ela. Eu e minha família somos da Assembleia de Deus.
Confesso que naquele momento fiquei emocionado e percebi que o “Anjo Bom da Bahia”, a Irmã Dulce dos Pobres, não seria santa só dos católicos, pois todo baiano, católico ou protestante, filho de Gandi ou do Ilê, crente ou mesmo sem religião alguma, a reverencia com todo o carinho e respeito.
Que festa linda no céu!  O Senhor Jesus Cristo, que passou a vida fazendo o bem e amou sem impor condição, acolhendo a nossa Santa. Vinde Dulce dos Pobres! Recebei em herança o Reino que meu Pai, vos preparou, pois eu estava com fome e me deste de comer, eu estava com sede e me deste de beber.
Neste momento, em que uma crise avassaladora nos atravessa, quando a vida humana é ameaçada, a região amazônica é devastada, seus povos tradicionais, indígenas e quilombolas são desrespeitados e desprezados, como cristãos, somos desafiados a sermos fiéis ao mandato evangelizador do Mestre Jesus, colocando as pessoas, e não as coisas, como o eixo central da evangelização. Pois nesta realidade desafiadora, não há espaço para a indiferença diante das situações de miséria e opressão em que vive a maioria da humanidade. As feições concretas dos povos indígenas e afro-americanos são as feições sofredoras de Cristo. Nele, conhecemos a imensa dignidade que constitui a grandeza do humana. Tocar o homem é tocar em Deus. Que nos proteja Santa Dulce dos Pobres.

 
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